Você já ouviu falar no termo sororidade?

“SORORIDADE É UM TERMO POLÍTICO E PRÁTICO DO FEMINISMO CONTEMPORÂNEO. NELE TRANSCENDE UM SENTIDO DE CUMPLICIDADE FEMININA QUE BUSCA, ACIMA DE TUDO, GERAR MUDANÇA SOCIAL.”

Ultimamente o termo sororidade está em alta, e ele se propagou muito com o ressurgimento de um movimento feminista intenso e com as redes sociais. Pouca gente sabe, mas o termo tem mais de 50 anos. Em 1970, a escritora Kate Millett, líder feminista daquela época, propôs essa palavra com o fim de construir uma ideia para lutar em seu dia a dia como uma forte ativista: obter a união social entre mulheres sem que haja diferença de classes, de religiões ou de grupos étnicos.

Em sua origem, o prefixo soror significa “irmã” em latim, fazendo referência à irmandade entre mulheres.

De uma forma simples sororidade significa: solidariedade entre as mulheres. Ele nos traz a ideia de cumplicidade.

Pesquisando mais sobre o termo encontrei outra ótima definição da jornalista e criadora da plataforma feminista Todas as Mulheres do Mundo, Giovanna Maradei. Para ela o termo fala sobre empatia: “Sororidade é ter, acima de tudo, a ideia de que nós precisamos apoiar outras mulheres para buscarmos juntas a liberdade que queremos”, explica.

Crescemos em uma sociedade onde a competição existe em vários grupos. E as mulheres não ficam de fora. Vivemos sob a sombra de um machismo estrutural, num contexto marcado pelo peso do patriarcado. Por isso a sororidade é tão importante, para que a gente se una e desconstrua esses padrões e tenha em mente que precisamos nos respeitar e nos defender se quisermos fazer a diferença. Se não tivermos união e sororidade, não temos voz para lutar e conquistar nossos direitos.

Como praticá-la? 

Viver a sororidade é um exercício diário e pode estar presente em pequenas atitudes:

– Não enxergue outras mulheres como rivais apenas por elas serem mulheres; 

– Não use palavras relacionadas ao comportamento sexual para xingar uma mulher – tire termos como “vagabunda” e “vadia” do seu vocabulário; 

– Ajude quando você puder: compartilhe conhecimento, conselhos, cuide de uma garota que não está passando bem na balada e fique atenta para situações em que uma pequena atitude pode significar muito para outra mulher; 

– Elogie e dê força para o sucesso das suas amigas: seja uma incentivadora de outras mulheres e não as deixem desistir; 

– Não julgue outra mulher pela roupa que ela está usando.

O conceito de sororidade vai muito além da amizade entre mulheres. O conceito engloba fraternidade, cumplicidade feminina, princípio ético, compromisso social. É preciso transformar nossa mentalidade, deixando de enxergar outras mulheres como inimigas ou adversárias e passando a enxergar outras mulheres de uma forma acolhedora, sem julgamentos, preconceitos, oferendo apoio, cuidado, escutando e segurando as suas mãos.

Li em um artigo algo muito bacana: “A sororidade é uma revolução que vem de dentro para fora. Primeiro, tornar-se consciente do que se é, do que se merece e do que não se está conseguindo em uma sociedade que, infelizmente, permanece marcadamente patriarcal. Mais tarde, essa consciência deve ser permeada em cada mulher que encontramos no nosso dia a dia, apoiando-a, visualizando-a e consertando a feminilidade fragmentada com o objetivo de fortalecer uma à outra.”

Sei que a teoria é algo fácil de entender, que colocar em prática é algo bem mais complexo. Mas proponho que todas, a partir de hoje, direcionemos o nosso olhar pra dentro de nós, para buscar a nossa essência feminina e por meio dela perceber todos os nossos conflitos e obstáculos por simplesmente sermos mulheres em uma sociedade machista.

Com isso, aprimoramos o nosso olhar para que, ao encontrarmos outras mulheres, possamos enxergar nelas mais do que outras mulheres, mas sim companheiras de luta e guerreiras nessa tão difícil jornada de viver em um mundo repleto de preconceitos e injustiças, e que a luta de todas tem um mesmo fim: viver melhor e de forma mais digna.

Vamos lá?

QUE COMECE O MATRIARCADO!

Carina Bernardi, Bacharel em Direito, Funcionária Pública, mãe da Vitória e da Nina e mais tudo o que eu quiser.