Quer uma dica? Ocupe a cabeça

Se tem uma coisa que a vida me ensinou foi isso. A cada tombo que levava, quanto menos tempo eu tinha para remoer o acontecido, mais facilmente eu conseguia me levantar. Claro que não foi o segundo tombo, talvez nem o terceiro, que me fez perceber isso… mas, hoje consigo entender melhor o que aconteceu, porque, ao não dar meu tempo ao problema, uso seu passar a meu favor. Quando menos espero, já se foram dias, semanas, meses, já não dói mais.

Ferimentos cicatrizam, deixam de doer, nem todos somem totalmente, mas cada vez que olhamos para a cicatriz, lembramos que fomos feridos e passou. E como é bom quando junto com as lembranças do ocorrido, surge um ” e foi aí que eu reagi”, ou até um “foi ali naquele momento que decidi mudar”, e melhor ainda quando depois disso vem o “e assim eu superei”. Manter a cabeça ocupada é uma excelente estratégia para isso.

Na minha última grande dor, que confesso estar em processo de cicatrização, usei dessa estratégia: voltei a estudar, fortaleci minha prática religiosa, compareci aos eventos e compromissos sem hesitar ( aquela velha história do “vamo?”e”vamo!”), fiz trabalhos extras quando apareceram, enfim, não deixei o pensamento pousar por muito tempo naquele galho que poderia quebrar. 

Teve choro? Teve! Teve muito! Mas, menos que das outras vezes. Porque, a medida que vamos buscando o que fazer, surge uma sensação de gratidão que nos abraça com carinho. A gente começa a gostar de estar “cuidando da vida” e passa a querer cada vez mais fazer bem para si. Aquele filme engraçado, aquele café com a amiga, o curso novo, até a pintura daquela parede que estava lá abandonada torna-se autocuidado e muito valioso.

E, acreditem, quando determinamos para nós mesmos que vamos ter o que fazer, muita coisa “brota” na nossa frente. 

Não estou dizendo que é fácil ou que sofrer é vergonhoso ou proibido.  Mas, convenhamos, enquanto ficamos sofrendo, lamentando e chorando, o tempo continua seguindo seu ritmo, não vai parar tudo pra te dar um colo amigo. Melhor levantar e buscar o colo dos amigos de verdade, da família,os abraços, as risadas, os momentos que realmente fazem carinho no coração. Faz bem estar com quem nos quer bem. 

Manter o fluxo nos prepara para engrenar novamente. Seja em um novo emprego, em um novo relacionamento, na luta pela cura de uma doença, tudo que for pra nossa distração (tirar o foco do negativo), aprendizagem e crescimento, vai nos deixar fortes e prontas pra outra.

Não desiste de ti. Não desacredite de ti. A cada oportunidade, desfrute  do que te faz feliz. 

Quando o tempo tiver agido da forma correta, tudo fará mais sentido, tudo se ajeitará.  Li em uma publicação certa vez que “O tempo é uma costureira especializada em reparos”… imagina se ele for bem utilizado, que resultados maravilhosos?!

Não ficará tudo intacto, sempre haverá aquela marquinha, mas quando bem costurado, um remendo poderá ser um enfeite… restarão cicatrizes de glória, marcas de lutas, lições e muitas recompensas do tempo investido na tua própria felicidade. 

Deseje felicidade, tua e de todas as pessoas,  peça felicidade, busque felicidade. A dor é passageira, é só pra dar mais gosto na vitória. 

Eu estou na luta, na labuta, na atividade, na pista, na vida… e tu? Bora lá? A gente pode!

Daniela Rossi